Fundação Cultural Palmares realiza o maior Novembro Negro de sua história, com programação em cinco estados

Fundação Cultural Palmares realiza o maior Novembro Negro de sua história, com programação em cinco estados

A Fundação Cultural Palmares (FCP), autarquia vinculada ao Ministério da Cultura, realiza em 2026 o maior Novembro Negro de sua história. Com atividades distribuídas por cinco estados brasileiros, a programação se estende por todo o mês de novembro e alcança o início de dezembro, reunindo iniciativas de valorização da cultura afro-brasileira, reconhecimento das comunidades quilombolas, promoção da igualdade racial e fortalecimento das manifestações culturais de matriz africana.

A agenda contempla diferentes territórios e expressões da cultura negra, com atividades em Alagoas, São Paulo, Rio de Janeiro e outras localidades. A proposta é ampliar a presença institucional da Fundação, aproximar as políticas públicas das comunidades e reafirmar o papel da cultura na construção de um país mais justo e igualitário.

Para o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Rodrigues, o Novembro Negro é uma oportunidade de reconhecer a história, mas também de projetar novos caminhos para a população negra brasileira.

“Não haverá Brasil civilizado sem a população negra. Precisamos compreender que a luta contra o racismo também passa pelo desenvolvimento, pelo acesso à educação, à universidade, à tecnologia e às oportunidades”, destaca.

Da memória à construção do futuro

Entre os principais momentos da programação está o retorno à Serra da Barriga, em União dos Palmares, Alagoas, território histórico do Quilombo dos Palmares e referência fundamental para a memória da resistência negra no Brasil. O local receberá atividades em 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, reunindo manifestações culturais, ações institucionais e iniciativas voltadas à valorização da memória quilombola.

Para João Jorge, a Serra da Barriga representa muito mais do que um marco histórico.

“É um lugar da liberdade, da igualdade e de uma experiência extraordinária de organização econômica, social e política nas Américas. A Serra da Barriga é um ambiente ecológico e também um museu a céu aberto. É o lugar de Aqualtune, Acotirene, Zumbi, Ganga Zumba e de tantas outras pessoas que construíram essa história”, afirma.

O presidente também chama atenção para a contemporaneidade das comunidades quilombolas e para a necessidade de superar visões que as associam exclusivamente ao passado.

“Os quilombos são modernos. Produzem, desenvolvem atividades econômicas e movimentam a cultura. Precisam de internet, computadores, estradas e acesso às universidades. Não podemos pensar essas comunidades como se estivessem isoladas do Brasil contemporâneo”, ressalta.

A programação em Alagoas também inclui o 1º Encontro Nacional de Educação Antirracista em Prisões, realizado entre os dias 18 e 21 de novembro, em parceria com o Ministério da Igualdade Racial e o Ministério da Justiça. No dia 21, em Maceió, estão previstas atividades dedicadas à Literatura Negra, com a participação de escritores, além de uma Mostra de Cinema Negro.

Cultura, tecnologia e valorização dos territórios

A programação começou a ganhar as ruas já nos primeiros dias de novembro. Em 1º de novembro, em Salvador, a agenda incluiu uma celebração pelos 52 anos do Bloco Afro Ilê Aiyê, na Praça da Tieta.

No dia 4 de novembro, a Fundação Cultural Palmares realiza, em sua sede, em Brasília, a culminância da edição 2026 do projeto Sabores e Saberes – O Tabuleiro da Baiana, que também marca a abertura oficial do Novembro Negro da instituição. A iniciativa valoriza a culinária afro-brasileira como patrimônio cultural e fortalece os saberes dos territórios tradicionais de matriz africana. Após vivências formativas realizadas em Planaltina (DF) e Novo Gama (GO), que reuniram mais de 100 participantes, o encontro terá mesas de debate, palestra da chef de cozinha e Makota Solange Borges, entrega de certificados, apresentação de samba de roda e partilha de comida tradicional.

No dia 9 de novembro, a Fundação promove o lançamento do podcast Zumbido, projeto de comunicação que amplia os espaços de escuta, circulação de ideias e divulgação da cultura afro-brasileira.

São Paulo também integra a mobilização, com atividades previstas para os dias 11 e 12 de novembro. O Rio de Janeiro igualmente faz parte da programação, com ações que serão divulgadas oportunamente.

Outro destaque é a realização de iniciativas que aproximam as comunidades quilombolas das novas tecnologias e das oportunidades de desenvolvimento, como o Afro Digital, desenvolvido em parceria com o Ministério das Comunicações, com entrega de computadores para comunidades quilombolas.

Uma mobilização que ultrapassa o calendário

Para a Fundação Cultural Palmares, ampliar o Novembro Negro significa reconhecer que a valorização da cultura afro-brasileira não deve se restringir a uma data comemorativa. É também uma oportunidade de fortalecer políticas públicas, estimular a produção cultural e ampliar o reconhecimento das contribuições da população negra para a formação do país.

João Jorge destaca que a cultura afro-brasileira também representa uma importante força econômica, presente nos quilombos, nos terreiros, nos blocos afro, nas escolas de samba, na gastronomia, na música e em diferentes formas de produção e conhecimento.

“Não queremos apenas políticas de reconhecimento. Queremos uma parceria do Estado para produzir mais, gerar oportunidades e fortalecer essa riqueza cultural que o Brasil possui”, afirma.

Com atividades em diferentes regiões e a participação de comunidades, artistas, instituições e representantes do movimento negro, o Novembro Negro 2026 reafirma a missão histórica da Fundação Cultural Palmares: preservar e valorizar a memória afro-brasileira, promover o reconhecimento de seus protagonistas e contribuir para que essa história continue produzindo transformações no presente e no futuro.

Mais do que celebrar o passado, a mobilização convida o país a reconhecer a força de sua herança africana e a construir, coletivamente, novas possibilidades de desenvolvimento, igualdade e liberdade. Henrique Bertoldo

Fonte: Agência Gov. Conteúdo republicado de fonte oficial.