PF faz operação contra supostas fraudes envolvendo crédito consignado

Policiais federais fazem nesta quarta-feira (15) uma operação para investigar suspeitos de usar operações de crédito consignado para lesar servidores públicos, aposentados e pensionistas. A Operação Fugazi cumpre 13 mandados de busca e apreensão no Mato Grosso, São Paulo e Rio Grande do Sul.

De acordo com a Polícia Federal (PF), há indícios de que empresas ligadas aos alvos da operação Fugazi apresentavam aos consumidores um suposto cartão de crédito consignado que, na prática, funcionava como empréstimo consignado com juros elevados e com mecanismos que dificultavam a quitação da dívida.

Isso gerava, segundo a PF, prejuízos ao consumidor, ao potencialmente ocasionar aumento do saldo devedor.

Também são investigados possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e lavagem de dinheiro. Além dos mandados de busca e apreensão, a Justiça determinou o sequestro de bens móveis e imóveis e o bloqueio de valores e ativos financeiros dos investigados.


Foto: Divulgação/PF

STF bloqueia R$ 6 milhões de Eduardo Cunha por indicação de emendas

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou, no último dia 6 de julho, o bloqueio de R$ R$ 6.150.378 do ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos-MG).

A decisão foi motivada por suspeita de direcionamento de pelo menos 21 emendas parlamentares da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, mesmo sem mandato eletivo. A destinação de emendas é uma prerrogativa de parlamentares em exercício.

A decisão se tornou pública neste domingo (12), após o levantamento do sigilo judicial.

“Das pesquisas realizadas, foram identificadas pelo menos 21 emendas parlamentares, num total de R$ 6,15 milhões, que foram empenhadas e pagas e que, nesse cenário, foram forjadamente documentadas para escamotear o verdadeiro solicitante da indicação”, disse o ministro do STF.

Em nota enviada à imprensa, a defesa do ex-deputado negou irregularidades e disse rejeitar a tentativa de equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar

Os advogados afirmam que o ex-parlamentar não foi ouvido nem intimado nesse processo, e que tomou conhecimento da decisão pela imprensa.

Direcionamento de emendas

O ministro relator da Petição nº 16.290/DF também reconheceu a conexão entre o encaminhamento de recursos públicos para Minas Gerais pelo ex-presidente da Câmara e os fatos investigados na primeira etapa da “Operação Transparência”.

A investigação bloqueou R$ 119 milhões do presidente do Partido Liberal (PL), o ex-deputado federal Valdemar Costa Neto, por indicação irregular de emendas parlamentares.

Durante a “Operação Transparência”, a Polícia Federal (PF) identificou, a partir da análise do aparelho celular da servidora da Câmara dos Deputados Mariangela Fialek, mensagens e planilhas que indicam um esquema de direcionamento de emendas comandado pelo ex-deputado Eduardo Cunha. O político não exerce mandato no Congresso desde que teve seu mandato cassado em setembro de 2016 e foi preso pela Operação Lava Jato.

Dino detalhou que Fialek, apelidada de Tuca, é investigada por ser “a responsável pela organização e encaminhamento das emendas do que se convencionou chamar de orçamento secreto”. O ministro ainda aponta que o orçamento secreto é popularmente reconhecido como uma forma indiscriminada de distribuição de recursos públicos.

Na decisão, Flávio Dino cita o comprometimento da integridade do sistema de emendas, com a grave distorção da destinação de recursos. “Fala-se de um espaço aberto para pagamentos motivados por interesses privados ou eleitorais, e não por critérios técnicos ou parlamentares.”

Crime de peculato

Segundo Flávio Dino, o direcionamento de orçamento público a partir da “atribuição artificial de status decisório a pessoa estranha à função formal” configura o cometimento de crime de peculato-desvio (Art. 312 do Código Penal).

O peculato é caracterizado quando um funcionário público prejudica a própria administração pública ao desviar valor ou qualquer bem de que tem a posse em razão do cargo, ainda que não haja enriquecimento pessoal direto e imediato do servidor executor.

“Não restam dúvidas de que as ações ora investigadas causaram prejuízo ao erário, no ponto em que emendas representativas de mais de R$ 6,1 milhões foram forjadamente encaminhadas e desviadas”.

“O fato de que um terceiro não atuante no parlamento brasileiro tinha o poder e a ingerência sobre o direcionamento do orçamento público é gravíssimo e materializa o que de mais nefasto há em termos de desvios envolvendo o tema do orçamento secreto”,  frisou o ministro Dino nos autos.

Demais medidas

Para tornar indisponíveis todos os bens do investigado, até o valor total do prejuízo estimado (R$ 6.150.378), Flávio Dino determinou uso do Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud), da ferramenta Restrições Judiciais sobre Veículos Automotores (Renajud) e do cadastro da Central Nacional de Indisponibilidade de Bens (Cnib).

Além de decretar o bloqueio e sequestro de ativos financeiros e patrimoniais do ex-parlamentar, o ministro suspendeu imediatamente a execução de todas as despesas públicas associadas às emendas sob suspeita, impedindo novos empenhos, liquidações ou pagamentos.

Dino também intimou a Câmara dos Deputados, a Advocacia Geral da União (AGU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) a cumprirem a ordem.

A AGU deve comunicar formalmente os municípios beneficiários afetados, em até dez dias.

Já o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos – PB) terá que, em dez dias, apresentar os documentos que comprovem a tramitação interna, de modo individualizado, das emendas identificadas pela Polícia Federal.

No mesmo prazo, a Câmara dos Deputados, a Advocacia Geral da União (AGU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) devem informar as providências adotadas para o cumprimento desta decisão.


Fonte: Ag. Brasil | Foto: Wilson Dias/Ag. Brasil

Defesa de Bolsonaro pede prisão domiciliar alegando problemas de saúde mental

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a concessão de prisão domiciliar, argumentando que sua saúde mental está comprometida devido à interação de medicamentos.

Pedido de prisão domiciliar

No último domingo (23), os advogados de Jair Bolsonaro, Celso Vilardi, Daniel Tesser e Paulo Bueno, protocolaram um pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, solicitando a revisão da decisão que resultou na prisão preventiva do ex-presidente. Eles alegam que o estado de saúde de Bolsonaro, preso desde o dia 22 de novembro, justifica a medida humanitária.

Os advogados destacam que não houve tentativa de fuga por parte de Bolsonaro, e que o episódio em que ele tentou violar a tornozeleira eletrônica é um indicativo do comprometimento de sua saúde. Na decisão que determinou a prisão, Moraes mencionou o risco de fuga, especialmente após a convocação de uma vigília por parte do senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente.

Problemas de saúde alegados

A defesa apresentou documentos médicos que atestam que Bolsonaro é portador de comorbidades e faz uso de medicamentos que afetam o sistema nervoso central. Entre os medicamentos citados estão a Clorpromazina e a Gabapentina, utilizados para tratar soluços incoercíveis, uma condição que o ex-presidente enfrenta desde uma tentativa de assassinato em 2018.

Os advogados afirmam que a confusão mental de Bolsonaro foi exacerbada pela interação de medicamentos, incluindo a Pregabalina, que foi prescrita sem o conhecimento da equipe médica que o acompanha. Segundo o documento, a Pregabalina pode causar efeitos colaterais significativos, como desorientação e alucinações.

Situação legal e próxima análise

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal relacionada a uma suposta trama golpista. A Primeira Turma do STF já rejeitou embargos de declaração que buscavam reverter as condenações, o que pode levar à execução das penas em regime fechado nas próximas semanas.

A defesa já havia solicitado uma prisão domiciliar humanitária ao STF na sexta-feira (21), mas o pedido foi negado após a prisão preventiva do ex-presidente. O STF irá analisar a decisão sobre a prisão preventiva de Bolsonaro em uma sessão virtual extraordinária marcada para esta segunda-feira (24).


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2025-11/defesa-alega-confusao-mental-e-pede-prisao-domiciliar-para-bolsonaro | Foto: Reprodução/Redes Sociais